Reabilitação na artroplastia do quadril

Esse assunto gera muitas dúvidas, as mais comuns são de como tratar e se devemos tratar no primeiro dia após a cirurgia, bem, assim que o paciente estiver recuperado do efeito da anestesia podemos realizar as primeiras técnicas fisioterápicas, a reabilitação nessa fase inicial é muito importante para uma ótima recuperação.

Sabemos que a articulação do quadril é composta pela cabeça do fêmur e a fossa do acetábulo, envolvida e estabilizada pela cápsula articular e ligamentos, realiza os movimentos de Abdução, Adução, Flexão, Extensão, Rotação Interna e Rotação Externa.

Artroplastia de quadril

Caracteriza-se pela substituição ou troca da articulação do quadril por uma artificial. Existem atualmente no mercado inúmeros modelos de próteses de quadril e joelho, que são de metal (titânio, polietileno e cerâmica).

Causas mais comuns:

  • Desgaste (osteoartrose)
  • Necrose Avascular da Cabeça Femoral: parte da cabeça femoral é privada de sua irrigação sanguínea. Está relacionada ao alcoolismo, fraturas-luxações do quadril e ao uso prolongado de corticoesteróides para tratamento de outras doenças.
  • Lesões traumáticas;
  • Displasias Quadril: é uma alteração anatômica congênita com diminuição da área de contato e deficiente cobertura da cabeça femoral pela cavidade acetabular.
  • Impacto Femoro-Acetabular (IFA): ocorre excessiva cobertura da cabeça femoral pelo acetábulo.
  • Lesões do Labrum Acetabular : podem ocorrer quando a fibrocartilagem periacetabular (labrum) for submetida a pressões ou tensões inadequadas.

Tipos de próteses:

Parcial: utilizada para substituir somente a cabeça do fêmur, mais usada em casos de fraturas, sempre que a cartilagem da cavidade acetabular esteja em boas condições.

Total: utilizada quando as cartilagens articulares da cabeça do fêmur e da cavidade acetabular estão irremediavelmente comprometidas.

As próteses podem ser:

Cimentada: são fixadas ao osso do paciente através do cimento acrílico. O cimento penetra na porosidade do osso e a fixação do implante é imediata. São indicadas para pacientes cujo osso tem pouca capacidade de crescimento e remodelação.

Não Cimentadas: são ajustadas ao osso, e a fixação secundária é feita pelo próprio organismo por bioatividade ou através do crescimento do osso para dentro da superfície porosa da prótese, fenômeno chamado osteointegração. São indicadas para pacientes cuja qualidade do osso seja capaz de suportar as pressões durante o ajuste e a estabilização primária da prótese e que tenha a capacidade de promover fixação secundária do implante, através do crescimento e remodelação do tecido ósseo, tal como ocorre na cura das fraturas.

Tratamento Fisioterapêutico:

O Fisioterapeuta que trabalha com uma equipe pode ter contato com o paciente antes da cirurgia, é importante orienta-lo sobre a cirurgia e sobre a recuperação.

  • Deve traçar um tratamento de  prevenção de complicações.
  • Fortalecer o membro oposto ao operado, pois ele irá suportar grande peso corporal;
  • Manutenção das articulações do segmento que vai ser operado evitando assim bloqueio do joelho e tornozelo desnecessariamente;
  • Quanto mais esclarecido o paciente estiver, mais fácil será sua recuperação.

O tratamento pós cirúrgico inicia-se no dia seguinte. Pode colocar o paciente em pé com ajuda de outra pessoa (cuidado para ele não cair e não apresentar tontura), manter suas pernas um pouco rodadas externamente, essa fase é apenas para o paciente perder o medo e começar contrair músculos inferiores.

Devemos esclarecer ao paciente que não poderá realizar flexão acima de 45°, adução, e rotação interna da coxa, pois terá grande risco de luxar o quadril, soltando a prótese principalmente se for total.

O paciente não deve ser colocado sobre o lado operado. Informe a familia, acompanhantes e até mesmo a enfermagem caso seja respeitado essa condição.

Nos dias seguintes progressivamente:

  • Exercícios isométricos de glúteo, quadríceps e poplíteo;
  • Mobilização de patela, joelho e tornozelo;
  • Fortalecimento de músculos do tornozelo;
  • Fortalecimento dos músculos do membro sadio que irá suportar mais carga;
  • Coloque-o de pé com ajuda de um andador, e oriente-o  a deambular com uma marcha de carga parcial onde o paciente divide o peso de seu membro operado com as muletas ou andador, lembrando que o primeiro passo deve ser feito com o membro sadio e flexionar o joelho para não haver compensações.
  • Quando for realizar rotação para virar o corpo deve ser feio no lado operado, pois favorece a rotação externa e abdução do quadril;
  • Coloque-o sentado em uma cadeira na posição semi-ereta, porém o quadril não deve ser fletido mais do que 45°;

Em casa o paciente deve ter as mesmas orientações, a cama e o vaso sanitário devem ser mais altos, aumente progressivamente as cargas e resistências nos exercícios, incentive-o a deambular sem o andador ou muletas fazendo descargas de peso  para iniciar a marcha.

O objetivo é deixar o paciente o mais funcional possível para realizar suas AVD’s e ter uma boa qualidade de vida.

É importante compreender bem o mecanismo das artroplastias do quadril, pois nem sempre os tratamentos seguem a mesma linha de conduta, o que implicará em modificações e adaptações de acordo com cada paciente.

Espero que tenha ajudado pessoal. Abraços!!

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6 Responses to Reabilitação na artroplastia do quadril

  1. Fabio Canabrava Coimbra disse:

    GOSTEI MUITO!

  2. Rodrigo DANIEL f. Antunes disse:

    Parabéns , adorei muito!!! RODRIGO

  3. Pingback: Reabilitação na artroplastia do quadril. « Valéria Sachi Magazoni

  4. Tayane disse:

    legal muito bom, me ajudou muito, pois tenho uma paciente desse perfil!

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