Cadeias Musculares e Articulares no método G.D.S

Olá pessoal o módulo da minha pós essa semana foi sobre Cadeias Musculares e Articulares no método G.D.S, muito interessante, vou colocar aqui apenas uma introdução sobre o conceito, mas o método merece ser estudado mais a fundo.

Definição do método

É um método de cadeias muculares e articulares criado na Bélgica por  Godelieve Denys-Struyf (GDS) uma fisioterapeuta e osteopata Belga.” Trata-se de um método de fisioterapia e abordagem comportamental, de prevenção tratamento e manutenção baseado na compreensão do terreno de predisposições”.

Godelieve afirma que o “corpo é linguagem”, ou seja, o corpo é um ótimo meio de comunicação, que devemos conhecer e estruturar para uma abordagem individualizada, seja ela preventiva ou curativa é importante “olhar” as mensagens gestuais e posturais desse corpo, para decifrá-las e entrar em comunicação, (verbal e não verbal) com ele. O corpo nos diz muito sobre o momento que o indivíduo está vivendo ou sobre toda uma estrutura gerada pela sua história de vida. A pessoa exprime em sua postura tudo aquilo que as palavras não conseguem expressar.

Características gerais:

1. É primeiramente um método de leitura da postura, dos gestos e formas do corpo que fornece elementos para a compreensão dele e para o diálogo entre terapeuta e paciente, seja ele bebê, criança ou adulto. Tal leitura vai delimitar um tipo de “terreno”, psicomotor e fisiológico, com seus pontos fortes e fracos, e sugerir uma abordagem terapêutica apropriada ao terreno e uma estratégia de prevenção;

2. As observações relativas ao modo como o paciente utiliza o corpo irão por sua vez determinar os “modos de emprego” mais adequados a esse específico sistema locomotor. O resultado será um modo funcional e personalizado de equilíbrio, harmonização e utilização corporal mais consciente e adaptado ao paciente e às exigências do seu ambiente;

3. É um método de tratamento que emprega uma diversidade de técnicas: ajustamentos osteoarticulares, modelagens, harmonização das tensões musculares (accordage), manobras que associam contrações isométricas e alongamentos, posturas e massagens. Estas ultimas podem ser profundas ou mecânicas, leves e energéticas e principalmente reflexas (STRUYF, 1995).

Os temas principais do Método de Cadeias são o funcionamento harmonioso do corpo e o  espeito à sua tipologia, o equilíbrio dos seus vários segmentos, a unidade e organização deles ao redor de um centro (STRUYF, 1995).

O Método considera seis formas primárias de expressão corporal ligadas aos grupos musculares que as produzem. São quatro formas principais e duas secundárias.

  • CADEIA POSTERIOR MEDIANA (PM)

O corpo está em desequilíbrio para a frente, a cadeia muscular posterior mantém o corpo em equilíbrio. São grupos musculares principalmente posteriores e medianos, daí a abreviação PM. O corpo precipita-se para a frente, ao fazê-lo está respondendo a certas respostas comportamentais. Como decisão, atitude, ir buscar, impulso (STRUYF, 1995).

  • CADEIA ANTERO MEDIANA (AM)

O tronco está em perda de equilíbrio para trás, a atividade de grupos musculares anteriores que garante o equilíbrio. São principalmente os músculos anteriores e medianos do tronco, por isso a abreviatura AM. O corpo parece querer recuar ou apoiar-se contra uma parede, ou sentar-se. Tem ligação com afetuosidade, acolhimento, posição fetal (STRUYF, 1995).

  • CADEIAS POSTERO ANTERIOR e  ANTERO POSTERIOR (PA AP)

Nessa cadeia não há desequilíbrio, nem para frente nem para trás. PA AP está no centro. Ocorre uma impulsão para cima em PA que tem maior facilidade na inspiração, uma impulsão para baixo em AP melhor sensação na expiração, ou pode ocorres uma associação entre as duas que denomina-se PAAP (STRUYF, 1995).

  • CADEIA POSTERO LATERAL (PL)

Corpo com base de sustentação larga, os grupos musculares agem principalmente na altura dos quadris e dos ombros. São, sobretudo, músculos abdutores e rotadores externos, cuja localização é posterior e lateral nos quadris e nos ombros (PL). As escolhas comportamentais ligadas a essa expansão lateral e a essa abertura anterior do corpo são as de uma pessoa extrovertida, e voltada para a relação com o exterior, pouca concentração (STRUYF, 1995).

  • CADEIA ANTERO LATERAL(AL)

O Corpo possui base de sustentação estreita, os grupos musculares estão essencialmente ativos nos quadris e nos ombros. São músculos adutores e rotadores internos localizados anterior e lateralmente na altura dos quadris e dos ombros. As escolhas comportamentais associados a esse estreitamento lateral do corpo e seu fechamento anterior, são os de uma pessoa introvertida, focada, reservada, circunspeta e cautelosa nas suas relações com exterior (STRUYF, 1995).


No método GDS, como vimos, a linguagem corporal e o comportamento estão associados ao sistema muscular que concretiza a mensagem que o corpo deseja exprimir.

Coloquei aqui apenas uma introdução do conceito e das cadeias. É uma técnica que merece ser estudada a fundo, apesar de ser pouco divulgada tem uma grande importância no tratamento de lesões osteomioarticulares, pode ser realizada individualmente ou em grupos, desde a criança até o idoso. A pessoa tratada com G.D.S pode realizar qualquer atividade.

Mais informações: http://www.apgds.com/

Abraços!!!!

Referências:

CADEIAS MUSCULARES E ARTICULARES: O METODO G.D.S.; Godelieve Denys-Struyf; Summus Editorial; São Paulo; 1995.
ASPECTOS BIOMECÂNICOS-Cadeias Musculares e Articulares: Método G.D.S. Noções Básicas; PHILIPPE CAMPIGNION; Summus Editorial; São Paulo; 2003.
CADEIAS ANTEROS-LATERAIS: CADEIAS MUSCULARES E ARTICULACOES – METODO G.D.S; PHILIPPE CAMPIGNION; Summus Editorial; São Paulo; 2008.
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A Importância da Fisioterapia Motora na UTI

Olá Pessoal, nesse post eu mostrarei a importância de realizar uma boa motora nos pacientes acamados, não tenho a intenção de menosprezar a Fisioterapia Respiratória, até porque tem uma indiscutível importância, mas gostaria de chamar a atenção para a Motora que não deixa de ser importante e pode trazer muitos benefícios aos pacientes.

O paciente acamado  torna-se descondicionado, o que reduz sua capacidade de executar exercícios aeróbicos e diminui sua tolerância aos esforços, gera a Sindrome do Imobilismo (conjunto de alterações que afeta todos os sistemas do corpo humano). O prolongado tempo de internação, posicionamento inadequado com falta de mobilização predispõe a modificações morfológicas dos músculos e tecidos conjuntivos. Em alguns casos pode-se encontrar alterações no alinhamento biomecânico, comprometimento de resistência cardiovascular, evoluindo com contraturas articulares, diminuição do trofismo e força muscular, aparecimento de úlceras de pressão e aumento da osteoporose (osteopenia). O fisioterapeuta atuando sobre os efeitos deletérios da hipo ou inatividade do paciente acamado no âmbito hospitalar contribui na redução da taxa de mortalidade, taxa de infecção, tempo de permanência na UTI e no hospital e índice de complicações no pós-operatório.

Geralmente o sistema musculoesquelético é o mais acometido pelo imobilismo, as limitações funcionais podem prejudicar as transferências, posturas e movimento no leito e em cadeiras de rodas, dificultar as AVD`s, alterar o padrão da marcha e aumentar o risco de formação de úlceras de pressão.

Estudos mostram que o imobilismo a partir de 12 a 15 dias ja pode gerar muitas alterações no sistema músculo esquelético.

.: Nos músculos ocorrem a diminuição no nível de glicogênio e ATP, da atividade muscular que pode comprometer a capacidade oxidativa, diminuição da síntese protéica, da força muscular e do número de sacômeros. ocorre atrofia das fibras musculares tipo I e II, diminuição do torque, incoordenação pela fraqueza generalizada resultando em má qualidade de movimento, dor e desconforto (imobilidade induz a um processo inflamatório tecidual com liberação de substâncias que estimulam os receptores locais de dor).

.: Nas articulações pode ocorrer atrofia da cartilagem com desorganização celular nas inserções ligamentares, proliferação do tecido fibrogorduroso e consequentemente espessamento da sinóvia e fibrose capsular.

.: Nos ossos ocorrem diminuição da massa óssea total devido ao aumento da atividade osteoclástica e diminuição da atividade osteoblástica, aumento da excreção de cálcio (máxima atividade osteoclástica).

Como resultado de todas as alterações do sistema ósseo, articular e muscular, podem surgir complicações como contraturas articulares, hipotrofia, atrofia muscular e osteoporose.

É fundamental que o fisioterapeuta além da preocupação quanto a melhora da capacidade respiratória, tenha muita atenção a capacidade motora, tentar atuar juntamente pode trazer grandes benefícios ao paciente acamado como:

  • Evitar atrofia muscular e manter e/ou restaurar amplitude articular;
  • Prevenir trombose venosa profunda, embolia pulmonar, pneumonias e hipotensão postural;
  • Aliviar a dor;
  • Diminuir ou prevenir edemas;
  • Melhora do condicionamento cardiovascular;
  • Reduzir o tempo de internação
  • Restaurar a funcionalidade para atividades de vida diária (AVDs);
  • Preparar para deambulação, quando o paciente tiver tais condições.

O Tratamento pode ser feito com exercícios passivos, ativo-assistido, ativo-livre, ativo-resistido, isométricos. Promover a reeducação postural, a conscientização corporal, o relaxamento muscular, estimular movimentação no leito e independência nas atividades.

Sabemos que para muitos o que importa é que o paciente esteja vivo (se vai andar ou mexer os membros não interessa), mas devemos fazer o melhor para esse paciente estando em coma ou não, lúcido ou não ou se nunca mais vai andar ou não. A Fisioterapia Motora na UTI não faz apenas o paciente voltar a andar ou se mexer, isso muitas das vezes não é possível, mas devemos pensar em outros benefícios como aliviar a dor pela contratura, diminuir o edema, evitar escaras, melhorar o condicionamento cardiovascular.

Existem poucos estudos publicados que possam ser usados em benefício do paciente para fisioterapia motora na UTI. No entanto, os recentes estudos têm confirmado que a mobilização em pacientes ventilados mecanicamente é um procedimento seguro e viável, diminuindo o tempo de internação na UTI e hospitalar.

Abraços.

Referências:

Borges V.M, Oliveira L.R.C, Peixoto E., Carvalho N.A.A. Fisioterapia motora em pacientes adultos em terapia intensiva. Rev. Brasileira de Terapia Intensiva-2009; 21(4):446-452.

Vojvodic C.,Síndrome do Imobilismo-Especialização de Fisioterapia Respiratória em Ventilação Mecânica com ênfase em Traumato-cirúrgico.São Paulo, 2004.