Catastrofização da dor

“Catástrofe”, essa palavra nos remete a desastre, algo ruim, tristeza, desgraça. O dicionário define como desgraça pública, calamidade, flagelo, que pode ser efeito da natureza ou provocada. Sabemos que não é nada bom presenciar uma catástrofe e que não é nada comum também.

Hoje em dia muito se discute sobre uma derivação dessa palavra, que não existe no dicionário de lingua portuguesa, mas existe no ”dicionário da dor”,  é a catastrofização. Mas o que significa isso? Alguns estudos de aspectos psicossociais definem como pensamento pessimista, negativo quanto ao futuro, e afirmam ser um grande preditor da Dor Crônica.

Uma pessoa com dor crônica apresenta comprometimentos físico e emocional. A dor provoca modificações neurofisiológicas e funcionais, gerando sofrimento, incertezas, medo da incapacidade, preocupações com perdas materiais e/ou sociais, limitações para a realização das atividades profissionais, sociais e domiciliares.

Seria fazer uma tempestade em um copo dágua?

Na verdade não, catastrofizar a dor não significa exagerar diante algo que não condiz, sua dor é presente e verdadeira, o que acontece é uma má adaptação psicológica a dor que leva a uma experiência dolorosa intensificada, maior incapacidade funcional e a  dificuldade de desconectar-se da sensação dolorosa. Ocorre um aumento desproporcional dos pensamentos.

O individuo pensa o pior, sempre acha que no dia seguinte sua dor vai estar horrivel, que não poderá fazer nada por causa da dor. Se sente mal cada vez mal!

As interpretações catastróficas dos sintomas físicos podem ser uma percepção errônea de sinais corporais não patológicos como sinal de doença grave. O paciente se importa muito com algo que confirme a idéia de doença e ignora a que evidencia seu bom estado de saúde.

Seminowicz e Davis em 2006 desenvolveram um estudo que mostra a correlação dos níveis de catastrofização e a atividade cerebral na ressonância magnética funcional após estímulos dolorosos. O estudo apontou que os níveis de catastrofização em pacientes normais levam a uma maior atividade dos centros de desprazer à dor e uma menor atividade dos centros superiores reguladores da dor. Clinicamente, isto se correlacionaria com uma resposta neurofisiológica pior nos pacientes com altos níveis de catastrofização, com uma maior vigilância cortical na dor leve, e na dor moderada, uma incapacidade de desligamento da dor pelos centros superiores.

Sabendo que a catastrofização pode estar presente como um fator psicossocial na vida do paciente de Dor Crônica, foram criadas escalas que avaliam pensamentos catastróficos sobre dor. Essas escalas determinam o quanto esses pensamentos podem interferir nas incapacidades e estresse decorrentes da Dor Crônica.

Depois de identificada a presença e frequência de pensamentos negativos diante da dor, o paciente deve ter um acompanhamento profissional multidisciplinar, onde aprenderá a enfrentar suas limitações e melhorar sua qualidade de vida.

Cristiane Arruda

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